domingo, 19 de maio de 2013

Novos cenários e modelos de aprendizagem construtivistas em plataformas digitais


CAP. II - J. António Moreira , in Monteiro,A; Moreira, A. J., A.C. (2012) Educação online: pedagogia e aprendizagem em plataformas digitais.



A sociedade digital em que vivemos, marcada por profundas transformações sociais, culturais, económicas e laborais, acontece da vertiginosa e indiscutível evolução tecnológica e do advento da Internet. Impõe-se assim repensar e redefinir o modelo pedagógico nas IES* no espaço europeu de formação para a globalização, levando já a iniciativas reformadoras onde e-learning e b-learning são reconhecidos.

A reestruturação do Ensino Superior, emergente das mudanças preconizadas pelo processo de Bolonha acompanham a perceção de que as aplicações tecnológicas em plataformas digitais têm resultados efetivos e globais, traduzidos na transferência do controlo da aprendizagem do professor para o aluno, onde este deixa de ser mero utilizador para ser autor e produtor de documentos multimédia que partilham lugar com materiais impressos e onde a informação, em vez de off, passa a estar disponível online, numa plataforma digital. No entanto, os meios, por si sós, não contribuem para a educação e são até ineficientes se a sua utilização se considerar o essencial no processo educativo; isto ressalta a necessidade de se atentar nos processos de comunicação e interação e nas necessidades individuais de cada estudante; nos aspetos cognitivos e estilos de aprendizagem dos alunos; nos aspetos afetivos, como a motivação, satisfação, imaginação e criatividade e nas questões relacionais, como o desenvolvimento de comunidades de aprendizagem colaborativa e cooperativas, tornadas possíveis pelos ambientes virtuais enquanto ferramentas inovadoras. Estas  e as psicológicas que influenciam a nossa visão do Mundo, reconhecem a necessidade de novos contextos de aprendizagem e do seu processo ser sustentado por modelos colaborativos, construtivistas e de aprendizagem. Modelos de aprendizagem em ambientes virtuais relacionados com o desenvolvimento de comunidades de prática e de aprendizagem e com a resolução de problemas que, segundo Moreira, refeltem as "novas funções" de professores e alunos, a implementação de práticas interativas e colaborativas, apelam para um paradigma colaborativo. Adotá-los, implica mudar a cultura do Ensino Superior onde os recursos pedagógicos sejam diferenciados, interativos e extensíveis à vida das pessoas e instituições. Onde os seus intervenientes tenham capacidades no trabalho em equipa, na gestão de recursos, no diálogo promotor duma cultura de interajuda na resolução de problemas pedagógicos. Tecnologia e educação mudaram o paradigma. A escola, alunos, professores mais próximos, em construção conjunta, fazendo mais e melhor poderão desempenhar a função que devem na sociedade onde se inserem.  E a Educação poderá ajudar a transformar o Mundo.

* Instituições de Ensino Superior































quinta-feira, 16 de maio de 2013

Blogs em Educação: Recurso, estratégia, ação, reação !


Media, Modos e Aprendizagem

Media, Modos e Aprendizagem, in As caraterísticas dos meios de aprendizagem interativa, Patrick J. Fahy, Athabasca University.

O termo multimédia é muito abrangente e, segundo Mayer (2001) perspectiva-se segundo três pontos de vista: (a) os meios, no sentido de aparelhos, utilizados para apresentar a mensagem, de que são exemplo o écran do computador, gravadores de vídeo e de áudio, projectores; (b) os modos de apresentação, isto é, os formatos utilizados para apresentar a mensagem: texto, imagens, animações, som e (c) os sentidos implicados na recepção da mensagem, isto é, o receptor tem que ter dois ou mais sentidos envolvidos na descodificação da mensagem.

Deste pressuposto , segundo Mayer (2001) o impacto multimédia online ou presencial depende,  de 7 princípios, Princípios Multimédia, que afetam a aprendizagem. A saber:


Principio Multimédia: Alunos aprendem melhor a partir de palavras com gráficos ou imagens do que com palavras isoladas;
Princípio de contiguidade espacial: os alunos aprendem melhor quando palavras e imagens correspondentes são apresentados em simultâneo;
Princípio da coerência: alunos aprendem melhor quando são excluídas palavras, imagens e sons estranhos;
Princípio da modalidade: alunos aprendem melhor a partir de animação e narração sonora em vez de animação e texto no ecrã;
Princípio da redundância: alunos aprendem melhor a partir da animação e narração do que uma combinação de animação, geração e texto no ecrã;
Princípio das diferenças individuais: efeitos de desenho são mais fortes para alunos com baixos conhecimentos e/ou elevada capacidade espacial ( capacidade mental para gerar, manter e manipular imagens visuais) do que para alunos com baixa capacidade.

Isto implica que os sistemas simbólicos dos media afectam a aquisição do conhecimento de diferentes modos; não só pelo modo como os sistemas simbólicos representam o conhecimento, mas também pelo papel diferenciado que desempenham nas actividades mentais que desencadeiam e, consequentemente, na aprendizagem. 

As diferenças em como as diversas tecnologias realizam os seus efeitos implicam considerávelmente para a prática do ensino online. Assim, torna-se, relevante considerar a importância de ferramentas online especificas e das suas caraterísticas, onde se inclui:

Texto, é uma forma de apresentação mais familiar e, a impressão começou por ser o meio dominante na educação à distância. Impressão e texto reunem vantagens como o baixo custo, flexibilidade e robustez, portabilidade e facilidade de reprodução, estabilidade, conveniência, familiaridade e economia; no entanto, a impressão falha na produção adequada de baixo funcionamento dos leitores ou seja, não é  interativa.

Os gráficos aumentam a motivação dos utilizadores sendo por isso importante que possuam caraterísticas visuais que deêm força ao que contêm de essencial para a aprendizagem. Devem ser equilibrados relativamente a detalhes, realismos e cores sob pena de não aumentarem e melhorarem a aprendizagem, criando até certas confusões. Relativamente às vantagens dos conteúdos dos vídeos a discussão matém-se em aberto. No entanto, a vídeoconferência é um importante recurso de aprendizagem, permitindo a aproximação dos utilizadores geograficamente dispersos e, evitando deslocações. Tal como outros meios, estabelece relacionamento social, partilha de recursos e cooperação entre utilizadores. Urge que se planifique a aprendizagem para que se possam efetivar beneficios da videoconferência; essa planificação deve obedecer a uma preparação prévia, diversificação de recursos integrados na apresentação, otimização e duração da mesma e contemplar ainda a preocupação da dimensão dos grupos de trabalho e do suporte técnico.
Autonomia, receção, wireless, armazenamento de memória, receção e suporte de formatos vídeo são caraterísticas do que se considera já um potencial recurso no ensino online: PDAs e smartphones. Estes últimos, podem até ultrapassar a popularidade dos primeiros uma vez que, a tecnologia avançada, a ultra banda larga e o controle de vírus dos telemóveis torná-los-ão, certamente, veículo de relevo na distribuição de educação e formação à distância.

Ao falarmos de ensino à distância associamos-lhe, obrigatoriamente, e como que fazendo parte do seu núcleo, a Internet. Desperta e desafia, alunos e professores . É meio de colaboração e interação. Tudo em tempo real, onde a comunicação pode ser mediada por computador e em projetos colaborativos.Mas todas estas vantagens não podem deixar cair no esquecimento, a sua falta de estrutura, contributo para a dispersão de muitos; a falta de segurança na informação e, sem dúvida, a necessidade de literacia com o computador, com as tecnologias.

Refletindo na extrema importância e contributodas tecnologias para o ensino, para o b-learning, não posso deixar de associar a essa importância as condicionantes tecnológicas onde, o acesso às mesmas é crucial.Porque o acesso aos computadores e à internet tem tido um exponencial crescimento ao longo dos anos mas é ainda infelizmente, por razões de vária ordem ( económicas principalmente, geográficas mais uma, entre outras) um mundo desconhecido para muitas pessoas.
O acesso às tecnologias necessárias é provavelmente o factor mais determinante na participação. 
A tecnologia tem que estar disponível e ser utilizável por todos os participantes. O acesso às tecnologias  levanta preocupações intitucionais. Preocupações que não podem deixá-las ficar indecisas entre assegurar o acesso a todos ou usarem a tecnologia mais potente.




É que, num ensino que se quer para todos e de todos as aplicações tecnológicas são tão boas como a possibilidade de os alunos as usarem...

Referências Bibliográficas:
Mayer, R. E. (2001),  Multimedia Learning, New York: Cambridge University Press.
Patrick J. Fahy, Athabasca University,As caraterísticas dos meios de aprendizagem interativa



terça-feira, 23 de abril de 2013

Os media na formação à distância


Os media na formação à distância, in " As Cararteríticas dos meios de aprendizagem interativa online"

A relação dos media com a aprendizagem, do impacto dos media sobre a perceção do isolamento dos alunos (distancia transacional vs comunidade (ensino com mais pessoas)) e o papel do ensino relativamente às necessidades individuais de aprendizagem são o que Santoro, Borges e Santos (2004) descrevem como sendo a principal função dos meios de comunicação: a coordenação, a cooperação e co-construção

Esta visão reflete a importância do "comum e partilhado" e das prioridades individuais. Remete-nos assim para o conceito de comunidade, como um processo não apenas um lugar (Cannell, 1999) em que a interação social "estruturada e sistemática", utilizando meios de comunicação, é essencial para uma aprendizagem de qualidade (Fulford & Zhang, 1993; Ragan,1999; Dilworth & Willis, 2003; Garrison & Cleveland-Innes, 2005; Conrad, 2005).

Os media são assim um meio abrangente, contribuindo para o desenvolvimento e evolução das comunidades, permitindo também a aprendizagem individualizada, reduzindo a distância transacional (Moore, 91).


Os estudantes online precisam de formas diferentes e de várias ferramentas de interação, incluindo o professor para apoio (Ally & Fahy, 2005) pois sentem a distância transacional de maneira diferente. Mas a interação para produzir o efeito de utilidade deve ajustar-se, quer às necessidades, quer às preferências (Walther,1996; Willits & Chen,1998); ao falarmos em preferências individuais de aprendizagem, estamos desde logo a considerar a necessidade de conhecimentos especializados .E o sucesso individual dos participantes com a comunicação online depende da utilização eficaz dos recursos técnicos disponíveis, da orientação e liderança dum professor-moderador qualificado (Garrison &Cleveland-Innes,2005), ele próprio moderado pelas capacidades do aluno e da preferência num modelo de aprendizagem colaborativa, cooperativa, ativa e autónoma (Oliver & McLaughlin, 1998).

Independentemente das diferenças entre cada um, refletidas no que conseguem ou não querem ter relativamente a uma experiencia de aprendizagem autónoma, aos alunos online é-lhes essencial, mais do que entender ideias e conceitos saber explicá-los por escrito; saber aprender experimentalmente para que atinjam os seus objetivos pessoais através da assistência dos media.  Aos professores-moderadores é-lhes pedido que exerçam uma das suas principais funções: fornecer a quantidade necessária de estrutura e de diálogo online através da sua presença no ensino (Andersen, Rourke, Garrison & Archer, 2001); a presença traduzida na liderança, capaz de facilitar a "compreensão significativa", através da interação e colaboração.

Inseridos num mundo cada vez mais tecnológico e em constante mutação, o cerne da aprendizagem online não reside tanto na experiencia de ensino do professor mas mais, na experiência do professor com a tecnologia e cujo principal beneficiário é o aluno. Isto porque professor-moderador, alunos-formandos, rumamos todos, aprendendo a aprender, na mesma e única direção: o FUTURO!

As caraterísticas dos meios de aprendizagem interativa online

As caraterísticas dos meios de aprendizagem interativa online
Patrick J. Fahy
Athabasca University

Tradução de: Maria Francisco, Paulo Sopa, Catarina Oliveira, Liliana Vidal, Maria Clara Pereira

Introdução


A aprendizagem online é um instrumento de cooperação, colaboração e comunicação.Recorre a tecnologias, meios de comunicação, que permitem superar a distância e, cujo impacto se tornou dominante no ensino e na aprendizagem.

Sabemos que o uso destas tecnologias ao serviço da aprendizagem se intensificaram nos países mais desenvolvidos, com uma taxa de utilização entre os 65 e 75% que se opõem  com os 10 a 20% relativos aos países em desenvolvimento. Estes números refletem também as posições de diferentes autores acerca da utilização massiva do uso dos computadores; Negroponte, defendeu um computador por criança aos invés de outros que, opondo-se, advertiram que o uso de novas tecnologias ofuscava as estratégias pedagógicas tradicionalmente utilizadas.




Sabe-se contudo que, fruto das novas experiências na utilização dos media e das novas tecnologias na educação, as vantagens superam em larga escala as desvantagens que se vão atenuando com o tempo. Vantagens que se traduzem, por exemplo, na economia na construção de equipamentos universitários,na poupança da  reutilização de materiais, numa maior literacia informática e que contrabalançam com a qualidade do ensino,com o ceticismo de alguns relativamente ao e-learning e com o tratamento equitativo dos professores/formadores à distância.


Contudo, nenhum meio, ainda que tecnologicamente bem desenvolvido é o apropriado para todos os contextos de aprendizagem. É assim necessário que, como uma das principais tarefas, os educadores ou melhor, todos os profissionais da educação atendam, quer às implicações, quer às limitações das tecnologias e da sua aplicabilidade ao ensino e aprendizagem.